
Abordagens da Psicologia: Quais São e Como Escolher a Sua
TCC, psicanálise, Gestalt: você já deve ter ouvido esses termos sem saber bem o que significam. Este guia explica de forma simples as principais abordagens da psicologia, como cada uma funciona e como escolher a que mais combina com o seu momento.
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Se você já pesquisou sobre terapia, provavelmente esbarrou em termos como "TCC", "psicanálise" ou "Gestalt" e ficou sem saber muito bem o que isso significa na prática. A boa notícia é que não existe mistério nenhum aqui: essas são apenas diferentes formas de conduzir uma terapia, cada uma com sua própria maneira de entender emoções, pensamentos e comportamentos. Nenhuma delas exige que você já entenda de psicologia para começar.
Neste guia, você vai entender de forma simples o que são as abordagens da psicologia, conhecer as principais delas e sair com uma ideia mais clara de qual pode fazer mais sentido para o seu momento, sem precisar decorar teorias ou nomes complicados. Se depois disso você quiser aprofundar em uma abordagem específica, temos um guia completo sobre a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma das mais conhecidas.
O Que São Abordagens da Psicologia (e Por Que Existem Tantas)
Pense nas abordagens como diferentes "lentes" que um psicólogo usa para enxergar o que você traz para a sessão. Todas trabalham com o mesmo objetivo geral, que é cuidar da sua saúde emocional, mas cada uma parte de uma teoria diferente sobre como a mente funciona, e isso muda bastante a forma como as sessões acontecem na prática.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia, a psicoterapia no Brasil só pode usar abordagens com reconhecimento científico, conforme estabelece a Resolução CFP nº 13/2022. Isso não significa que todas tenham exatamente o mesmo tipo de comprovação: algumas, como a TCC, contam com um volume grande de pesquisas controladas, enquanto outras se apoiam mais em tradições teóricas consolidadas e reconhecidas pela categoria ao longo de décadas. De qualquer forma, nenhuma abordagem oferecida por um psicólogo registrado é praticada à revelia desse reconhecimento, o que ajuda a explicar por que nenhuma delas é "certa" ou "errada": são caminhos diferentes, com respaldo diferente, mas todos legítimos.
Algumas abordagens são mais objetivas e voltadas para o presente, com foco em mudar comportamentos e formas de pensar. Outras são mais reflexivas, e mergulham em experiências passadas ou em emoções mais difíceis de nomear. Não existe uma fórmula única: a escolha costuma depender do que você está buscando agora, do seu jeito de se relacionar com as próprias emoções, e até da conexão que você sente com o profissional.
Uma forma simples de pensar nisso: imagine que você quer aprender a nadar melhor. Um instrutor pode focar em corrigir sua técnica de braçada aos poucos, com exercícios práticos e feedback imediato. Outro pode primeiro te ajudar a entender por que você tem medo da água. Os dois são caminhos válidos para o mesmo objetivo, só que com pontos de partida diferentes. Com a terapia funciona de forma parecida: cada abordagem escolhe um ponto de partida diferente para chegar ao mesmo lugar, que é o seu bem-estar emocional, e conhecer essas diferenças de antemão pode poupar tempo e frustração na hora de escolher com quem começar.
Abordagens Focadas em Pensamentos e Comportamentos: TCC, ACT e DBT
Esse grupo de abordagens costuma ser mais prático e estruturado, com foco em situações do presente.
Já a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) foi desenvolvida por Aaron Beck e é hoje uma das linhas mais populares em consultórios pelo mundo todo. A ideia central é simples: pensamentos, emoções e comportamentos estão conectados, e mudar a forma como você interpreta uma situação pode mudar como você se sente e age diante dela. As sessões costumam ser mais objetivas, com metas claras e exercícios práticos.
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), desenvolvida por Steven Hayes, parte de um ângulo um pouco diferente: em vez de tentar eliminar pensamentos difíceis, ela trabalha para que você aprenda a conviver com eles sem que dominem suas escolhas, mantendo o foco em agir de acordo com o que realmente importa para você.
Já a Terapia Comportamental Dialética (DBT), criada por Marsha Linehan, combina técnicas práticas com um forte componente de regulação emocional, sendo bastante usada para quem lida com emoções muito intensas ou dificuldade de lidar com mudanças bruscas de humor.
Na prática, esse grupo costuma ser uma boa porta de entrada para quem nunca fez terapia e quer algo mais estruturado: as sessões geralmente têm um roteiro mais claro, com tarefas entre um encontro e outro, e você consegue perceber avanços de forma mais tangível ao longo do processo.
Abordagens de Raiz Psicanalítica: Freud e Jung
Esse grupo tem um estilo mais reflexivo, com sessões que costumam explorar histórias de vida, memórias e emoções mais profundas.
A Psicanálise, criada por Sigmund Freud, é provavelmente a linha mais conhecida do público em geral. Seu foco está em compreender o inconsciente e como experiências passadas, especialmente da infância, continuam influenciando pensamentos e comportamentos no presente. O processo costuma ser mais longo e sem um roteiro fixo de sessões.
Já a Psicologia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, também olha para o inconsciente, mas com um foco diferente: símbolos, sonhos e o que Jung chamava de processo de individuação, que é basicamente o caminho de se tornar mais inteiro e integrado como pessoa. Costuma atrair quem busca autoconhecimento em um nível mais simbólico ou está passando por questões existenciais.
Vale dizer que esse grupo de abordagens não é indicado só para quem está em crise: muita gente procura a psicanálise ou a psicologia analítica justamente por curiosidade genuína sobre a própria história, sem necessariamente ter um problema específico para resolver. É um processo que costuma pedir mais tempo e paciência, mas que pode trazer entendimentos bem profundos sobre padrões que se repetem na sua vida.
Abordagens Humanistas: Carl Rogers e a Gestalt-terapia
Se você busca um espaço acolhedor, sem julgamentos, e valoriza sentir que tem autonomia no próprio processo, as abordagens humanistas costumam ser um bom ponto de partida.
A Abordagem Centrada na Pessoa, criada por Carl Rogers, coloca você como protagonista da terapia. O psicólogo atua mais como um facilitador do que como alguém que interpreta ou dá respostas prontas, criando um ambiente de escuta acolhedora para que você desenvolva mais clareza sobre si mesmo, no seu próprio ritmo.
Já a Gestalt-terapia, com raízes no trabalho de Fritz Perls, valoriza o momento presente e a consciência sobre o que você sente aqui e agora, incluindo sensações do corpo, não só pensamentos. É uma abordagem bastante voltada para ampliar a percepção sobre padrões emocionais e formas de se relacionar com o mundo.
Ambas as abordagens humanistas costumam funcionar bem para quem quer se sentir acolhido antes de qualquer coisa, sem sensação de estar sendo avaliado ou corrigido. Se a ideia de um espaço mais gentil e menos técnico soa atraente para você, vale considerar começar por aqui.
Abordagem Sistêmica e Como Escolher a Sua na Prática
Vale mencionar também a Abordagem Sistêmica, que entende a pessoa dentro do contexto das relações em que ela vive, como família, trabalho e vínculos afetivos, em vez de olhar só para o indivíduo isoladamente. Costuma ser bastante usada em terapia de casal e terapia familiar, mas também aparece em atendimentos individuais quando o foco está em entender melhor dinâmicas de relacionamento.
Com tantas opções, é normal sentir um pouco de dúvida sobre por onde começar, e isso não é um problema seu: é só reflexo de uma área do conhecimento rica e diversa. Alguns pontos podem ajudar nessa escolha:
- Pense no que você busca agora. Quer algo mais prático e focado em mudanças concretas, ou prefere um processo mais reflexivo e de longo prazo? Não tem problema mudar de ideia depois.
- Não existe abordagem "melhor". Existe a que faz mais sentido para o seu momento de vida, e isso pode até mudar ao longo do tempo, conforme suas necessidades também mudam.
- A conversa inicial ajuda bastante. Você pode perguntar ao profissional como ele trabalha, com que abordagem atua e o que esperar das sessões antes de decidir seguir em frente.
- O vínculo importa tanto quanto a técnica. Duas pessoas usando a mesma abordagem podem gerar experiências bem diferentes, porque a relação entre vocês também faz parte do processo, talvez até mais do que a teoria por trás dele.
- Dê um tempo antes de trocar. Algumas sessões costumam ser necessárias para você sentir se aquele formato e aquele profissional fazem sentido, então evite decidir tudo já no primeiro encontro, mesmo que a primeira impressão não seja exatamente o que você esperava.
Se quiser, você também pode simplesmente começar por curiosidade, sem se prender demais à teoria por trás. Muita gente só entende de fato qual abordagem combina com ela depois de algumas sessões, e isso é completamente normal. O mais importante não é acertar de primeira, mas se sentir à vontade para experimentar e ajustar o caminho conforme for percebendo o que funciona melhor para você. No fim das contas, conhecer essas diferenças serve mais como um mapa inicial do que como uma decisão definitiva, e você sempre pode reajustar a rota conforme o processo for acontecendo.
Se você está pronto para dar esse passo, a Lumus Terapia é uma plataforma de terapia online que conecta você a psicólogos de diferentes abordagens em todo o Brasil, seguindo os mesmos princípios de sigilo e ética de um atendimento presencial. Você pode encontrar psicólogos online e escolher, com calma, o profissional e a linha terapêutica que mais fazem sentido para você, no seu próprio ritmo e sem pressa para acertar de primeira.
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Perguntas Frequentes
Preciso escolher a abordagem certa antes de começar terapia?+
Não. Muita gente começa sem saber qual abordagem prefere e descobre isso ao longo das primeiras sessões. O psicólogo pode explicar como trabalha, e você pode ajustar essa escolha conforme for se sentindo mais à vontade com o processo.
Dá para trocar de abordagem no meio do processo terapêutico?+
Sim. É comum perceber, ao longo da terapia, que outra abordagem faz mais sentido para o seu momento. Você pode conversar com o profissional atual ou buscar outro psicólogo com uma linha terapêutica diferente.
Uma abordagem é mais eficaz do que as outras?+
Não existe uma abordagem universalmente mais eficaz. Todas as usadas por psicólogos registrados seguem critérios de reconhecimento científico do Conselho Federal de Psicologia, ainda que o volume de pesquisa por trás de cada uma varie. Na prática, a eficácia costuma depender mais do encaixe entre pessoa, demanda e profissional do que da linha teórica em si.
Sobre o autor
Equipe Lumus Terapia
Conteúdo criado pela equipe de especialistas da Lumus Terapia.
Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918
Referências
- (2022). Resolução sobre Psicoterapia é publicada no Diário Oficial da União. Conselho Federal de Psicologia (CFP). Acessar
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Este artigo tem caráter informativo e educativo. O conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.
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