
Por Que Cada Vez Mais Gente Está Fazendo Terapia
A busca por terapia no Brasil cresceu de forma consistente nos últimos anos, e não só entre quem está em crise. Este artigo explica o que mudou culturalmente, o que os dados mostram sobre esse crescimento e como saber se pode ser um bom momento para você começar.
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Fazer terapia já foi coisa de "quem está muito mal". Hoje, cada vez mais gente começa a terapia sem estar em crise: por curiosidade, por autoconhecimento, ou simplesmente porque quer entender melhor os próprios padrões de pensamento. Essa mudança não é só percepção: ela aparece nos números de consultas, na forma como a psicologia se tornou parte de campanhas de saúde pública e na maneira como amigos e familiares falam sobre terapia hoje, algo que seria raro há poucas décadas.
Se você já se perguntou por que parece que todo mundo está fazendo terapia agora, ou está considerando começar e quer entender o contexto antes de dar o primeiro passo, este artigo reúne o que explica essa mudança: da história da profissão no Brasil aos dados que mostram o crescimento da procura, passando pelos mitos que ainda seguram muita gente na porta. Para entender a diferença entre os termos usados na área, vale conferir também o que é psicoterapia e o que é terapia, já que muita gente confunde os dois conceitos.
O Que Mudou na Forma Como Enxergamos a Terapia
A psicologia é uma profissão relativamente jovem no Brasil. Ela só foi reconhecida oficialmente pela Lei nº 4.119, sancionada em 1962, o que significa que, por décadas, o acesso a atendimento psicológico estruturado era raro e concentrado nos grandes centros urbanos. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) foi criado quase dez anos depois, em 1971, para organizar e regulamentar a prática em todo o território nacional, garantindo critérios mínimos de formação e ética profissional.
Esse histórico ajuda a explicar por que, até pouco tempo atrás, procurar um psicólogo carregava um peso de exceção: era algo associado a quadros graves, não a cuidado preventivo. Era comum ouvir frases como "isso é coisa de quem é fraco" ou "psicólogo é para quem está muito mal", ideias que hoje soam cada vez mais deslocadas da realidade.
Nas últimas duas décadas, esse cenário vem mudando de forma consistente. A terapia deixou de ser vista apenas como resposta a uma crise e passou a ser tratada, cada vez mais, como uma ferramenta de autoconhecimento e regulação emocional, algo próximo do que já se faz com a saúde física: você não espera quebrar um osso para se exercitar, e cada vez mais gente aplica essa mesma lógica preventiva ao cuidado emocional.
Essa virada cultural não aconteceu de um dia para o outro. Ela é resultado de uma combinação de fatores: maior circulação de informação sobre saúde mental, redução gradual do estigma em torno de pedir ajuda, o exemplo de figuras públicas que passaram a falar abertamente sobre o próprio acompanhamento psicológico, e a ampliação do acesso, especialmente por meio do atendimento remoto.
Por Que a Procura por Terapia Cresceu Tanto no Brasil?
Os números confirmam essa mudança de comportamento. Segundo um levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de consultas com psicólogos no setor de planos de saúde saltou de 21,7 milhões em 2019 para 34,9 milhões em 2022, um crescimento de 60,8% em três anos.
Esse crescimento não foi linear. Houve inclusive uma queda temporária de quase 11% logo no início da pandemia, quando muitos serviços não essenciais foram adiados. A partir de 2021, porém, a procura voltou a subir com força, o que sugere que o interesse por terapia não foi apenas uma reação passageira ao isolamento social, mas uma mudança mais duradoura de prioridade.
Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental de forma ampla: não como a simples ausência de doença, mas como um estado de bem-estar mental, físico e social. Essa definição ajuda a entender por que a busca por terapia cresceu mesmo entre pessoas sem um quadro clínico específico. Cada vez mais gente entende que cuidar da mente não exige esperar por um ponto de ruptura.
Alguns fatores que costumam aparecer quando se discute esse crescimento:
- Mais informação disponível. Conteúdo sobre saúde mental circula hoje em redes sociais, podcasts e até em ambientes de trabalho, o que reduz a sensação de que o tema é tabu e amplia o vocabulário das pessoas para nomear o que sentem.
- Normalização entre gerações mais jovens. Falar sobre terapia deixou de ser incomum entre amigos e colegas, o que facilita o primeiro passo de quem nunca fez e reduz o peso de pedir ajuda pela primeira vez.
- Reconhecimento de que o ritmo de vida atual cobra um preço emocional. Sobrecarga de trabalho, uso constante de telas e pressão por produtividade aparecem com frequência como motivadores da busca por acompanhamento.
- Ampliação do acesso. A modalidade remota reduziu barreiras práticas que antes afastavam muita gente, como custo de deslocamento e disponibilidade de horário compatível com a rotina de trabalho.
Nenhum desses fatores, isoladamente, explica todo o fenômeno. Eles se somam, e o resultado é uma geração que enxerga terapia como parte do cuidado com a própria saúde, não como último recurso.
O Papel do Acesso Online Nessa Mudança
Um dos fatores que mais pesou nesse crescimento foi a expansão do atendimento psicológico remoto. Antes, morar em uma cidade pequena ou ter uma rotina de trabalho apertada podia significar, na prática, não ter acesso a um profissional qualificado. Com a terapia online, esse cenário mudou de forma significativa.
A possibilidade de fazer sessões de qualquer lugar, sem depender de deslocamento, tornou o processo terapêutico compatível com rotinas que antes pareciam incompatíveis com qualquer tipo de cuidado regular. Isso não significa que o atendimento remoto substitua a avaliação individual sobre o que funciona melhor para cada pessoa, mas amplia consideravelmente as opções disponíveis. Para entender melhor como funciona esse formato, vale a leitura de terapia online: vantagens e benefícios.
Além da conveniência prática, a modalidade remota também ajudou a reduzir uma barreira menos falada: o desconforto de ser visto entrando ou saindo de um consultório físico. Para muita gente, poder fazer terapia de casa, com mais privacidade, foi o que finalmente tornou o processo viável.
Também vale considerar o impacto sobre quem mora fora de grandes centros urbanos. Historicamente, a concentração de profissionais qualificados em capitais e regiões metropolitanas deixava quem vivia em cidades menores com opções bastante limitadas. O atendimento remoto reduziu essa desigualdade de acesso, permitindo que a escolha do profissional seja guiada por afinidade e especialização, e não apenas pela distância até o consultório mais próximo.
Mitos Que Ainda Afastam Gente da Terapia
Apesar de todo esse avanço, ainda existem ideias equivocadas que atrasam a decisão de começar. Algumas das mais comuns:
- "Terapia é só para quem está muito mal." Na prática, boa parte de quem procura acompanhamento hoje busca autoconhecimento, organização emocional ou apoio em transições de vida, não necessariamente uma crise instalada.
- "Vai levar anos para eu ver algum resultado." O tempo de processo varia bastante de pessoa para pessoa e depende de diversos fatores, incluindo o vínculo com o profissional e o que está sendo trabalhado. Não existe um prazo único válido para todo mundo, e desconfiar de quem promete resultados rápidos costuma ser um bom critério.
- "Conversar com amigos já resolve." Apoio social importa e faz parte de uma vida emocional saudável, mas é diferente de um espaço conduzido por um profissional formado, com escuta técnica, sigilo garantido e sem os filtros naturais de uma relação pessoal.
- "Não tenho tempo para me deslocar até um consultório." Esse é justamente um dos obstáculos que o formato remoto ajudou a resolver nos últimos anos, permitindo encaixar sessões em intervalos do dia que antes seriam inviáveis para um deslocamento.
- "É caro demais para valer a pena." O custo é, sim, um fator real para muita gente, mas a ampliação de opções online trouxe também mais variedade de valores e formatos, o que tornou o acesso mais viável para diferentes realidades financeiras.
Reconhecer esses mitos não significa que a terapia seja indicada exatamente da mesma forma para todo mundo, mas ajuda a entender por que tanta gente que hesitava está, hoje, dando o primeiro passo.
Como Saber se é um Bom Momento Para Você Começar
Não existe uma fórmula única que sirva para todo mundo, e vale desconfiar de qualquer conteúdo que prometa o contrário. Mas alguns sinais costumam aparecer para quem está pensando em iniciar um acompanhamento: a sensação recorrente de estar sobrecarregado, dificuldade em lidar com mudanças recentes, vontade de entender melhor padrões de comportamento que se repetem, ou simplesmente curiosidade genuína sobre autoconhecimento.
Nenhum desses pontos, isoladamente, indica que algo esteja "errado" com você. Eles apenas sugerem que pode ser um bom momento para conversar com um profissional e entender, junto com ele, se aquele é o caminho certo para o seu momento de vida. O vínculo terapêutico costuma se construir aos poucos, e é normal que as primeiras sessões sirvam também para você avaliar se aquele profissional é a pessoa certa para acompanhar essa jornada.
O respeito ao tempo de cada pessoa é parte importante desse processo. Não existe pressa nem prazo ideal: existe o momento em que faz sentido para você, seja ele motivado por uma dificuldade específica ou apenas pela vontade de se conhecer melhor. Se você está considerando dar esse passo, a Lumus Terapia é uma plataforma de terapia online que conecta pacientes a psicólogos qualificados em todo o Brasil. Você pode encontrar psicólogos online disponíveis para atendimento remoto e dar o primeiro passo no seu próprio tempo.
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Perguntas Frequentes
Terapia online é tão eficaz quanto a terapia presencial?+
Sim, a literatura científica indica que a terapia realizada por videochamada pode ser tão eficaz quanto a presencial para diversas demandas. A escolha entre os formatos depende mais da preferência e da rotina de cada pessoa do que de uma diferença fixa de resultado entre eles.
Preciso de um motivo específico para começar terapia?+
Não. Muita gente inicia terapia por curiosidade ou vontade de autoconhecimento, sem uma crise definida. Ter um motivo claro pode ajudar a direcionar as primeiras sessões, mas não é um requisito para buscar acompanhamento psicológico.
Como escolher entre um psicólogo online e um presencial?+
A escolha depende de fatores como rotina, disponibilidade de profissionais na sua região e preferência pessoal por cada formato. Ambos seguem os mesmos princípios éticos e de sigilo profissional definidos pelo Conselho Federal de Psicologia.
Sobre o autor
Equipe Lumus Terapia
Conteúdo criado pela equipe de especialistas da Lumus Terapia.
Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918
Referências
- (2024). Consultas com psicólogos aumentam na saúde suplementar. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Acessar
Aviso legal
Este artigo tem caráter informativo e educativo. O conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.
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