
Como Controlar as Emoções: Técnicas Baseadas em Psicologia
Reprimir uma emoção e regulá-la são coisas bem diferentes, e confundir as duas é um dos motivos pelos quais tentar "controlar as emoções" costuma sair pela culatra. Entenda o que a psicologia realmente diz sobre regulação emocional e técnicas práticas que funcionam.
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Controlar as emoções não significa eliminá-las ou reprimi-las. Na psicologia, o termo mais preciso é regulação emocional: a capacidade de influenciar quais emoções você sente, quando as sente e como as expressa, sem negar que elas existem.
Essa distinção importa porque tentar simplesmente "não sentir" costuma piorar o problema, não resolvê-lo. Quando esse padrão já está afetando o humor de forma mais persistente, vale considerar o apoio de um psicólogo especializado em alterações de humor, já que emoções que parecem "fora de controle" com frequência têm uma origem específica a ser investigada.
O que é regulação emocional, afinal?
Regulação emocional é um conceito estudado há décadas na psicologia, com destaque para o trabalho do pesquisador James Gross (1998), da Universidade Stanford, publicado no Journal of Personality and Social Psychology. Gross propôs que a regulação emocional pode acontecer em cinco momentos diferentes da experiência emocional, não apenas depois que a emoção já está instalada.
Isso é importante porque muita gente tenta "controlar a emoção" só no momento em que ela já está no auge (uma raiva no meio de uma discussão, por exemplo), que é justamente o ponto mais difícil para intervir. Segundo o modelo de Gross, existem outros quatro momentos, geralmente mais cedo no processo, onde a intervenção tende a ser mais eficaz.
Os cinco pontos em que é possível intervir
De acordo com o modelo de Gross (1998), a regulação emocional pode acontecer em:
- Escolha da situação: decidir se aproximar ou se afastar de algo que tende a gerar determinada emoção (por exemplo, evitar uma conversa em um horário em que você já sabe que está mais irritado)
- Modificação da situação: mudar algum aspecto concreto da situação para alterar seu impacto emocional (pedir uma pausa em uma reunião tensa, por exemplo)
- Direcionamento da atenção: deslocar o foco para outro aspecto da mesma situação
- Mudança cognitiva: reinterpretar o significado de uma situação (a chamada reavaliação cognitiva)
- Modulação da resposta: agir sobre a resposta emocional depois que ela já começou, como técnicas de respiração no momento da emoção
Segundo a pesquisa de Gross, as estratégias que atuam mais cedo (como reavaliar a situação) tendem a ser mais sustentáveis do que tentar apenas conter a reação depois que a emoção já está em curso.
Por que reprimir não é a mesma coisa que regular
Um erro comum é confundir regulação emocional com supressão: apertar os dentes e não deixar a emoção aparecer. A pesquisa de Gross e colaboradores mostra que suprimir a expressão de uma emoção, ao contrário de reinterpretar a situação que a gerou, tende a ter um custo cognitivo maior e não reduz de fato a intensidade do que a pessoa está sentindo por dentro.
Em outras palavras: fingir que está tudo bem consome mais energia mental do que lidar com a emoção de outra forma, e geralmente não faz a emoção desaparecer, apenas a esconde temporariamente.
Isso não significa que expressar toda emoção da forma como ela surge seja sempre a melhor escolha. O objetivo da regulação emocional não é reprimir nem descarregar sem filtro, mas encontrar uma forma de vivenciar a emoção sem que ela dite sozinha a próxima decisão.
Técnicas práticas para o dia a dia
Algumas técnicas têm base de pesquisa mais sólida do que outras. Vale destacar três:
Nomear a emoção com precisão. Um estudo de neuroimagem conduzido por Lieberman e colaboradores (2007), na revista Psychological Science, mostrou que colocar em palavras exatamente o que se está sentindo ("estou com raiva porque me senti ignorado", em vez de apenas "estou mal") reduz a atividade da amígdala, região do cérebro associada à resposta emocional intensa. Na prática, isso significa que nomear a emoção com detalhe, e não apenas de forma genérica, já é uma forma de regulação.
Reavaliação cognitiva. Perguntar-se "existe outra forma de interpretar essa situação?" antes de reagir é uma das estratégias mais estudadas dentro do modelo de Gross. Não se trata de negar o que aconteceu, mas de considerar outras leituras possíveis antes de decidir como agir.
Pausa entre a emoção e a ação. Técnicas simples de respiração mais lenta no momento em que a emoção está no pico ajudam a criar um intervalo entre sentir e reagir. Esse intervalo é o que costuma faltar em decisões tomadas "no calor do momento".
Vale mencionar que a Terapia Comportamental Dialética (DBT) tem um módulo inteiro dedicado a habilidades de regulação emocional, unindo várias dessas técnicas de forma estruturada. Quem quiser se aprofundar nessa abordagem específica pode conferir o que é a DBT e como ela funciona.
Quando a dificuldade em regular emoções pede apoio profissional
Todo mundo tem dias em que a emoção "vence" a estratégia, e isso é esperado. O ponto de atenção é quando esse padrão se torna frequente ao ponto de prejudicar decisões importantes, relacionamentos ou a rotina de trabalho.
Nesses casos, a dificuldade de regulação costuma estar ligada a algo mais específico: um padrão de pensamento antigo, uma experiência não processada, ou uma condição que se beneficia de acompanhamento estruturado. Tentar aplicar técnicas isoladas sem entender a origem do padrão tende a trazer alívio temporário, mas não mudança duradoura.
Se a dificuldade em lidar com as próprias emoções está afetando áreas importantes da sua vida, buscar um psicólogo pode ajudar a identificar o que está por trás desse padrão e construir estratégias mais consistentes do que aplicar técnicas isoladas por conta própria.
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Perguntas Frequentes
Reprimir as emoções é uma forma de controlá-las?+
Não. Pesquisas mostram que suprimir a expressão de uma emoção tem custo cognitivo maior e não reduz a intensidade do que a pessoa sente por dentro. Regular é diferente de reprimir: envolve reinterpretar a situação ou mudar a forma de reagir, não simplesmente esconder o que se sente.
Nomear a emoção realmente ajuda a controlá-la?+
Sim. Estudos de neuroimagem mostram que colocar em palavras exatamente o que se sente reduz a atividade da amígdala, região associada a respostas emocionais intensas. Quanto mais precisa a descrição da emoção, maior tende a ser esse efeito.
Terapia ajuda quem tem dificuldade de controlar as emoções?+
Sim, principalmente quando o padrão é frequente e afeta decisões importantes ou relacionamentos. Um psicólogo pode ajudar a identificar a origem específica da dificuldade e construir estratégias de regulação mais consistentes do que técnicas isoladas.
Sobre o autor
Equipe Lumus Terapia
Conteúdo criado pela equipe de especialistas da Lumus Terapia.
Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918
Referências
- James J. Gross. (1998). Antecedent- and Response-Focused Emotion Regulation: Divergent Consequences for Experience, Expression, and Physiology. Journal of Personality and Social Psychology. Acessar
- Matthew D. Lieberman, Naomi I. Eisenberger, Molly J. Crockett, Sabrina M. Tom, Jennifer H. Pfeifer, Baldwin M. Way. (2007). Putting Feelings Into Words: Affect Labeling Disrupts Amygdala Activity in Response to Affective Stimuli. Psychological Science. Acessar
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Este artigo tem caráter informativo e educativo. O conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.
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