Como Controlar as Emoções: Técnicas Baseadas em Psicologia
Saúde Mental

Como Controlar as Emoções: Técnicas Baseadas em Psicologia

Reprimir uma emoção e regulá-la são coisas bem diferentes, e confundir as duas é um dos motivos pelos quais tentar "controlar as emoções" costuma sair pela culatra. Entenda o que a psicologia realmente diz sobre regulação emocional e técnicas práticas que funcionam.

05 de setembro de 2026
8 min de leitura
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  1. O que é regulação emocional, afinal?
  2. Os cinco pontos em que é possível intervir
  3. Por que reprimir não é a mesma coisa que regular
  4. Técnicas práticas para o dia a dia
  5. Quando a dificuldade em regular emoções pede apoio profissional

Controlar as emoções não significa eliminá-las ou reprimi-las. Na psicologia, o termo mais preciso é regulação emocional: a capacidade de influenciar quais emoções você sente, quando as sente e como as expressa, sem negar que elas existem.

Essa distinção importa porque tentar simplesmente "não sentir" costuma piorar o problema, não resolvê-lo. Quando esse padrão já está afetando o humor de forma mais persistente, vale considerar o apoio de um psicólogo especializado em alterações de humor, já que emoções que parecem "fora de controle" com frequência têm uma origem específica a ser investigada.

O que é regulação emocional, afinal?

Regulação emocional é um conceito estudado há décadas na psicologia, com destaque para o trabalho do pesquisador James Gross (1998), da Universidade Stanford, publicado no Journal of Personality and Social Psychology. Gross propôs que a regulação emocional pode acontecer em cinco momentos diferentes da experiência emocional, não apenas depois que a emoção já está instalada.

Isso é importante porque muita gente tenta "controlar a emoção" só no momento em que ela já está no auge (uma raiva no meio de uma discussão, por exemplo), que é justamente o ponto mais difícil para intervir. Segundo o modelo de Gross, existem outros quatro momentos, geralmente mais cedo no processo, onde a intervenção tende a ser mais eficaz.

Os cinco pontos em que é possível intervir

De acordo com o modelo de Gross (1998), a regulação emocional pode acontecer em:

  1. Escolha da situação: decidir se aproximar ou se afastar de algo que tende a gerar determinada emoção (por exemplo, evitar uma conversa em um horário em que você já sabe que está mais irritado)
  2. Modificação da situação: mudar algum aspecto concreto da situação para alterar seu impacto emocional (pedir uma pausa em uma reunião tensa, por exemplo)
  3. Direcionamento da atenção: deslocar o foco para outro aspecto da mesma situação
  4. Mudança cognitiva: reinterpretar o significado de uma situação (a chamada reavaliação cognitiva)
  5. Modulação da resposta: agir sobre a resposta emocional depois que ela já começou, como técnicas de respiração no momento da emoção

Segundo a pesquisa de Gross, as estratégias que atuam mais cedo (como reavaliar a situação) tendem a ser mais sustentáveis do que tentar apenas conter a reação depois que a emoção já está em curso.

Por que reprimir não é a mesma coisa que regular

Um erro comum é confundir regulação emocional com supressão: apertar os dentes e não deixar a emoção aparecer. A pesquisa de Gross e colaboradores mostra que suprimir a expressão de uma emoção, ao contrário de reinterpretar a situação que a gerou, tende a ter um custo cognitivo maior e não reduz de fato a intensidade do que a pessoa está sentindo por dentro.

Em outras palavras: fingir que está tudo bem consome mais energia mental do que lidar com a emoção de outra forma, e geralmente não faz a emoção desaparecer, apenas a esconde temporariamente.

Isso não significa que expressar toda emoção da forma como ela surge seja sempre a melhor escolha. O objetivo da regulação emocional não é reprimir nem descarregar sem filtro, mas encontrar uma forma de vivenciar a emoção sem que ela dite sozinha a próxima decisão.

Técnicas práticas para o dia a dia

Algumas técnicas têm base de pesquisa mais sólida do que outras. Vale destacar três:

Nomear a emoção com precisão. Um estudo de neuroimagem conduzido por Lieberman e colaboradores (2007), na revista Psychological Science, mostrou que colocar em palavras exatamente o que se está sentindo ("estou com raiva porque me senti ignorado", em vez de apenas "estou mal") reduz a atividade da amígdala, região do cérebro associada à resposta emocional intensa. Na prática, isso significa que nomear a emoção com detalhe, e não apenas de forma genérica, já é uma forma de regulação.

Reavaliação cognitiva. Perguntar-se "existe outra forma de interpretar essa situação?" antes de reagir é uma das estratégias mais estudadas dentro do modelo de Gross. Não se trata de negar o que aconteceu, mas de considerar outras leituras possíveis antes de decidir como agir.

Pausa entre a emoção e a ação. Técnicas simples de respiração mais lenta no momento em que a emoção está no pico ajudam a criar um intervalo entre sentir e reagir. Esse intervalo é o que costuma faltar em decisões tomadas "no calor do momento".

Vale mencionar que a Terapia Comportamental Dialética (DBT) tem um módulo inteiro dedicado a habilidades de regulação emocional, unindo várias dessas técnicas de forma estruturada. Quem quiser se aprofundar nessa abordagem específica pode conferir o que é a DBT e como ela funciona.

Quando a dificuldade em regular emoções pede apoio profissional

Todo mundo tem dias em que a emoção "vence" a estratégia, e isso é esperado. O ponto de atenção é quando esse padrão se torna frequente ao ponto de prejudicar decisões importantes, relacionamentos ou a rotina de trabalho.

Nesses casos, a dificuldade de regulação costuma estar ligada a algo mais específico: um padrão de pensamento antigo, uma experiência não processada, ou uma condição que se beneficia de acompanhamento estruturado. Tentar aplicar técnicas isoladas sem entender a origem do padrão tende a trazer alívio temporário, mas não mudança duradoura.

Se a dificuldade em lidar com as próprias emoções está afetando áreas importantes da sua vida, buscar um psicólogo pode ajudar a identificar o que está por trás desse padrão e construir estratégias mais consistentes do que aplicar técnicas isoladas por conta própria.

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Perguntas Frequentes

Reprimir as emoções é uma forma de controlá-las?+

Não. Pesquisas mostram que suprimir a expressão de uma emoção tem custo cognitivo maior e não reduz a intensidade do que a pessoa sente por dentro. Regular é diferente de reprimir: envolve reinterpretar a situação ou mudar a forma de reagir, não simplesmente esconder o que se sente.

Nomear a emoção realmente ajuda a controlá-la?+

Sim. Estudos de neuroimagem mostram que colocar em palavras exatamente o que se sente reduz a atividade da amígdala, região associada a respostas emocionais intensas. Quanto mais precisa a descrição da emoção, maior tende a ser esse efeito.

Terapia ajuda quem tem dificuldade de controlar as emoções?+

Sim, principalmente quando o padrão é frequente e afeta decisões importantes ou relacionamentos. Um psicólogo pode ajudar a identificar a origem específica da dificuldade e construir estratégias de regulação mais consistentes do que técnicas isoladas.

Sobre o autor

ELT

Equipe Lumus Terapia

Conteúdo criado pela equipe de especialistas da Lumus Terapia.

Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918

Referências

  1. James J. Gross. (1998). Antecedent- and Response-Focused Emotion Regulation: Divergent Consequences for Experience, Expression, and Physiology. Journal of Personality and Social Psychology. Acessar
  2. Matthew D. Lieberman, Naomi I. Eisenberger, Molly J. Crockett, Sabrina M. Tom, Jennifer H. Pfeifer, Baldwin M. Way. (2007). Putting Feelings Into Words: Affect Labeling Disrupts Amygdala Activity in Response to Affective Stimuli. Psychological Science. Acessar

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Este artigo tem caráter informativo e educativo. O conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.

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