Doomscrolling: O que É e Como Parar de Rolar Más Notícias
Ansiedade

Doomscrolling: O que É e Como Parar de Rolar Más Notícias

Doomscrolling é o hábito de rolar a tela atrás de notícias ruins, mesmo quando isso pesa no humor e no sono. Entenda por que ele prende e como sair do ciclo com ajustes simples.

01 de novembro de 2026
8 min de leitura
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  1. O que é doomscrolling e como ele se manifesta
  2. Por que é tão difícil parar de rolar a tela?
  3. O que a pesquisa diz sobre os efeitos na saúde mental
  4. Doomscrolling e ansiedade: um ciclo que se retroalimenta
  5. Como reduzir o doomscrolling no dia a dia
  6. Defina horários para se informar
  7. Dê um ponto final ao que você lê
  8. Mude o ambiente do celular
  9. Troque o gesto por outro
  10. Escolha com mais cuidado o que seguir
  11. Como ajudar alguém que vive rolando notícias ruins
  12. Estar informado e estar sobrecarregado não são a mesma coisa
  13. Quando procurar um psicólogo

Doomscrolling é o hábito de rolar a tela sem parar atrás de notícias e conteúdos negativos, mesmo quando isso já está deixando você mais tenso, triste ou preocupado. A palavra vem do inglês e junta a ideia de "rolar" com "destino sombrio". Na prática, é aquela hora que passa sem você perceber, enquanto o dedo desliza por mais uma tragédia, mais uma previsão ruim, mais um comentário indignado.

Se você se reconhece nisso, saiba que não é falta de força de vontade. Existem motivos psicológicos bem compreensíveis para esse padrão, e também formas realistas de diminuir o peso dele na rotina. Quando a ansiedade já pesa no dia a dia, encontrar um psicólogo especializado em ansiedade pode ajudar a olhar para o que está por trás do hábito.

O que é doomscrolling e como ele se manifesta

Doomscrolling é o consumo compulsivo de conteúdo negativo em redes sociais e portais de notícias, que continua além do ponto em que traz informação útil. A pessoa não busca se atualizar: busca uma sensação de controle, que quase nunca chega.

Alguns sinais comuns do padrão:

  1. Abrir o celular "só para ver uma coisa" e perceber que se passaram 40 minutos.
  2. Sentir o corpo mais tenso, o coração acelerado ou a mente acelerada depois de ler as notícias.
  3. Atualizar a página repetidamente à espera de novidades sobre um assunto aflitivo.
  4. Rolar a tela na cama, à noite, e demorar mais para dormir por causa disso.
  5. Sentir que o mundo é mais perigoso ou sem esperança do que era antes de começar a rolar.

Um exemplo simples: alguém lê uma notícia sobre uma crise econômica no almoço, abre os comentários, vê previsões ainda piores e, quando percebe, passou a tarde com a cabeça em cenários catastróficos que nada têm a ver com a sua realidade imediata.

Por que é tão difícil parar de rolar a tela?

Embora pareça um hábito sem sentido, o doomscrolling se apoia em mecanismos humanos bastante comuns.

O primeiro deles é o viés de negatividade: nossa mente dá mais peso a informações ameaçadoras do que a neutras ou positivas. Isso já foi útil para a sobrevivência, porque prestar atenção ao perigo protege. Hoje, esse mesmo mecanismo faz o cérebro tratar cada manchete alarmante como algo que merece atenção imediata.

O segundo é a busca por controle. Diante da incerteza, muita gente acredita que ficar informada ajuda a se preparar. Só que a informação costuma vir em fluxo infinito, sem começo nem fim, e a sensação de "agora estou seguro" nunca se completa.

O terceiro é o próprio desenho das plataformas. Feeds com rolagem infinita, notificações e conteúdos que priorizam o que gera reação forte mantêm a atenção presa. Além disso, a recompensa é imprevisível: às vezes aparece algo relevante, às vezes não, e esse tipo de incerteza torna o gesto de rolar mais difícil de interromper.

O que a pesquisa diz sobre os efeitos na saúde mental

Um estudo de Shabahang e colegas (2024), publicado na revista Computers in Human Behavior Reports, analisou 800 estudantes universitários, sendo 620 do Irã e 180 dos Estados Unidos. Os pesquisadores observaram que o consumo problemático de notícias negativas estava associado a níveis mais altos de ansiedade existencial, isto é, preocupações profundas sobre a morte, o sentido da vida e o futuro, nos dois países.

Vale ressaltar que a associação encontrada foi moderada, e que o estudo é correlacional: ele não prova que rolar notícias ruins causa a ansiedade, já que pessoas mais ansiosas também podem recorrer mais a esse comportamento. Ainda assim, o resultado combina com o que muita gente relata no dia a dia.

Na experiência cotidiana, os efeitos descritos costumam aparecer assim:

  • No humor: mais irritabilidade, tristeza e uma sensação de que "tudo está desmoronando".
  • No sono: dificuldade para desligar a mente à noite e para dormir depois de ler conteúdo pesado.
  • Na atenção: a cabeça fica presa a assuntos distantes e sobra menos energia para o que está ao alcance.
  • Nas relações: conversas passam a girar em torno de más notícias, o que desgasta o convívio.

Doomscrolling e ansiedade: um ciclo que se retroalimenta

A relação entre rolar notícias ruins e sentir ansiedade costuma funcionar em círculo. A pessoa se sente inquieta, procura notícias para tentar se acalmar, encontra conteúdo que aumenta a inquietação e volta a procurar na esperança de alívio. Cada volta reforça a ideia de que, para ficar tranquila, é preciso saber mais, quando na verdade o excesso de informação é parte do que mantém a tensão.

Esse ciclo também se alimenta da urgência. Manchetes em tom de alerta e atualizações "em tempo real" passam a impressão de que algo precisa ser resolvido agora, mesmo quando o assunto está fora do alcance de qualquer ação individual. Perceber a diferença entre o que é urgente e o que apenas parece urgente já é um primeiro passo para recuperar o controle da atenção, e esse treino de observação costuma ficar mais fácil com o tempo.

Outro ponto importante: o doomscrolling nem sempre é só sobre notícias. Para algumas pessoas, é uma forma de evitar sentimentos difíceis, como solidão, tédio ou cansaço depois de um dia pesado. Rolar a tela distrai por alguns minutos, mas deixa o incômodo original intacto, e muitas vezes ainda acrescenta uma camada nova de preocupação.

Como reduzir o doomscrolling no dia a dia

Parar de uma vez raramente funciona, porque o hábito costuma estar ligado a momentos específicos do dia, como o intervalo do trabalho, a fila ou a hora de deitar. Mudanças pequenas e sustentáveis tendem a dar mais resultado, e cada ajuste abaixo pode ser testado por alguns dias, sem pressão para acertar de primeira.

Defina horários para se informar

Escolher um ou dois momentos do dia para ler notícias, de preferência longe da hora de dormir, transforma o consumo em escolha. Fora desses horários, o assunto fica para depois.

Dê um ponto final ao que você lê

Decida de antemão o que quer saber ("o resultado de hoje", "a previsão do tempo") e feche o aplicativo ao encontrar. Um objetivo claro funciona como uma saída natural do feed infinito.

Mude o ambiente do celular

Tirar o aparelho do quarto, silenciar notificações de notícias e deixar o aplicativo fora da primeira tela criam uma pausa entre o impulso e o gesto. Essa pequena fricção costuma ser suficiente para interromper o piloto automático.

Troque o gesto por outro

Quando o impulso surgir, vale ter uma alternativa pronta: alongar, beber água, caminhar pela casa, ligar para alguém. O objetivo não é eliminar a vontade, e sim dar ao corpo outra resposta enquanto ela passa.

Escolha com mais cuidado o que seguir

Pessoas e páginas que vivem de indignação mantêm sua atenção justamente pelo incômodo que causam. Silenciar ou deixar de seguir alguns perfis é um ajuste legítimo, não uma fuga da realidade. Se o assunto também envolve a comparação com a vida dos outros, vale a leitura sobre como as redes sociais afetam a comparação social e a autoestima.

Como ajudar alguém que vive rolando notícias ruins

Se a pessoa que você ama parece presa nesse hábito, a abordagem faz diferença. Críticas e cobranças ("larga esse celular") costumam gerar defesa e não mudança. Funciona melhor perguntar com curiosidade como ela tem se sentido depois de passar tempo nas notícias e oferecer companhia para outras atividades, como uma caminhada ou uma refeição sem telas. Convidar para conversar com um profissional também pode ser uma forma de cuidado, sempre sem pressão e respeitando o tempo de cada um.

Estar informado e estar sobrecarregado não são a mesma coisa

Muita gente teme que reduzir o consumo de notícias signifique se desinteressar do mundo. Não é assim. Acompanhar os acontecimentos de forma consciente, com começo, meio e fim, costuma deixar a pessoa mais disponível para agir, conversar e cuidar de si.

Uma pergunta útil para o momento de rolar a tela é: "o que eu vou fazer com essa informação?". Se a resposta for nada, talvez seja hora de pausar. Esse pequeno filtro, repetido ao longo dos dias, ensina a mente a separar o que é informação útil do que é apenas ruído emocional. Se houver uma ação possível, como ajudar alguém, doar ou votar de forma consciente, a informação cumpre sua função e pode ser encerrada ali.

Procurar apoio faz sentido quando o hábito de rolar a tela passa a ocupar muito tempo, atrapalha o sono, o trabalho ou os relacionamentos, ou quando vem acompanhado de preocupação constante, tristeza persistente ou sensação de que não dá para parar mesmo querendo. Isso não significa que algo grave esteja acontecendo, e sim que você merece um espaço para cuidar do que está por trás do comportamento.

Na psicoterapia, é possível entender o que o hábito está tentando resolver, seja ansiedade diante da incerteza, solidão ou necessidade de distração, e construir estratégias que respeitem o seu ritmo. Se quiser dar esse passo, você pode encontrar um psicólogo na Lumus Terapia e conversar sobre o que tem sentido.

Este texto tem caráter informativo e não substitui o atendimento profissional.

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Perguntas Frequentes

Doomscrolling é um transtorno mental?+

Não. Doomscrolling não é um diagnóstico, e sim um padrão de comportamento: consumir notícias negativas de forma repetida e difícil de interromper. Ele pode se associar a ansiedade e cansaço, mas só um profissional de saúde consegue avaliar o que está por trás do hábito em cada pessoa.

Quanto tempo de notícias por dia é saudável?+

Não existe um número único, pois depende da rotina e de como você se sente depois. Um bom parâmetro é observar o efeito: se ler notícias deixa você tenso, sem sono ou sem energia, vale reduzir o tempo, concentrar a leitura em horários fixos e evitar a hora de dormir.

Como parar de ver notícias ruins no celular à noite?+

Deixe o celular carregando fora do alcance da cama, silencie as notificações de notícias a partir de certo horário e prepare uma alternativa para o hábito, como ler algumas páginas de um livro ou ouvir música calma. A pequena distância física costuma bastar para interromper o piloto automático.

Sobre o autor

ELT

Equipe Lumus Terapia

Conteúdo criado pela equipe de especialistas da Lumus Terapia.

Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918

Referências

  1. Reza Shabahang, Hyejin Hwang, Emma F. Thomas, Mara S. Aruguete, Lynn E. McCutcheon, Orsolya Gabor, Ali Asghar Hossein Khanzadeh, Bahareh Mokhtari Chirani e Ágnes Zsila. (2024). Doomscrolling evokes existential anxiety and fosters pessimism about human nature? Evidence from Iran and the United States. Computers in Human Behavior Reports. Acessar

Aviso legal

Este artigo tem caráter informativo e educativo. O conteúdo não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.

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