Mulheres Expatriadas e o Luto do País que Ficou para Trás
Saúde Mental

Mulheres Expatriadas e o Luto do País que Ficou para Trás

Mudar de país pode representar uma conquista e, ao mesmo tempo, despertar saudade, solidão e sensação de perda. Reconhecer esse processo emocional pode ajudar mulheres expatriadas a construir um novo sentimento de pertencimento.

10 de outubro de 2026
5 min de leitura
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Existe uma ideia romantizada de que mudar de país significa começar uma vida completamente nova. Novas oportunidades, novos lugares, novas experiências. Mas existe uma parte da mudança que nem sempre aparece nas fotografias: aquilo que ficou para trás.

Para muitas mulheres expatriadas, o país de origem não representa apenas um território. É também a língua na qual aprenderam a se expressar, os lugares conhecidos, os encontros espontâneos, a família, os amigos, os costumes, os cheiros, os sabores e uma versão de si mesmas que existia naquele contexto. Por isso, é possível sentir saudade mesmo quando a mudança foi desejada.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que a migração pode trazer diferentes fatores de estresse relacionados às condições anteriores à migração, à própria jornada e à vida no país de destino. Entre os fatores do período pós-migração estão a separação das redes de apoio, o isolamento social, dificuldades de integração, barreiras linguísticas e experiências de discriminação.

Isso não significa que toda mulher expatriada desenvolverá um problema de saúde mental. Significa que a adaptação precisa ser compreendida dentro de um contexto maior. Uma revisão sobre os determinantes sociais da saúde mental de imigrantes e refugiados também destaca a importância de fatores como suporte social, condições socioeconômicas, exclusão social e discriminação para o bem-estar psicológico.

Talvez uma das partes mais difíceis seja perceber que não é necessário escolher entre amar o novo país e sentir falta do antigo. É possível construir uma vida significativa em um novo lugar e continuar sentindo saudade de casa. É possível criar novas amizades sem substituir as antigas. É possível aprender novos costumes sem abandonar a própria cultura. E é possível mudar sem precisar apagar quem você era antes da mudança.

A adaptação não acontece de uma vez. Para algumas mulheres, ela envolve criar novas redes de apoio, encontrar espaços de pertencimento, manter vínculos importantes com o país de origem e permitir-se viver o processo emocional da mudança sem a obrigação de estar “bem” o tempo todo. O novo lar não precisa apagar o antigo. Aos poucos, os dois podem fazer parte da mesma história.

Para refletir: O que você sente falta do seu país que talvez ainda não tenha conseguido colocar em palavras?

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Sobre o autor

ELT

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Orientação ética: Psic. Deise Dourado, CRP 07/40918

Referências

  1. World Health Organization. (2025). Refugee and migrant mental health. World Health Organization (WHO). Acessar
  2. Michaela Hynie. (2018). The Social Determinants of Refugee Mental Health in the Post-Migration Context: A Critical Review. Canadian Journal of Psychiatry. Acessar

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